
A Quinta-feira Santa marca o início do Tríduo Pascal, o coração do calendário litúrgico cristão, em que a Igreja celebra os mistérios centrais da fé: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.
Este Tríduo sagrado tem início na tarde da Quinta-feira Santa e prolonga-se até o pôr do sol do Domingo de Páscoa.
A Missa da Ceia do Senhor, celebrada neste dia, é conhecida em latim como “In Coena Domini” e popularmente chamada de Missa do Lava-Pés.
Trata-se de uma das celebrações mais significativas da vida da Igreja, pois nela se recorda a instituição da Eucaristia, do sacerdócio ministerial e do mandamento do amor fraterno.
Durante a liturgia, repete-se o gesto realizado por Jesus na Última Ceia, quando, levantando-se da mesa, lavou os pés dos discípulos, assumindo a atitude de servo.
Este gesto de humildade e serviço, narrado no Evangelho segundo São João, é um forte apelo à vivência do amor concreto e da doação mútua. Diante da recusa inicial de Pedro, Jesus responde:
“Se eu não te lavar, não terás parte comigo.” (Jo 13, 8)
A celebração é também um memorial da Última Ceia, onde, conforme os relatos dos evangelhos e da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios – considerado o texto mais antigo sobre a Eucaristia –, Jesus consagra o pão e o vinho, entregando-se plenamente por amor. Na liturgia, ecoam as palavras do Senhor:
Ao final da Missa, o Santíssimo Sacramento é levado em procissão para um altar lateral, onde tem início a vigília silenciosa, evocando a ida de Jesus ao Jardim das Oliveiras, onde enfrentaria a agonia que antecedeu sua prisão.
Em muitas comunidades, esta vigília estende-se noite adentro, como momento de adoração, recolhimento e oração.
A Quinta-feira Santa, assim, é um convite a mergulhar na profundidade do amor de Cristo, a viver o dom da Eucaristia e a responder com generosidade ao chamado ao serviço e à comunhão fraterna.