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poulinoevora

Já passou 1 ano do seu falecimento. Se há figura que não pode ser esquecida em Cabo Verde é este bispo que, desde 1975 serviu o seu país e a sua igreja como um autêntico profeta de Deus. Sim Profeta. Alguém que cumpriu, na íntegra, a missão fulcral de qualquer profeta que se digne desse nome. Denunciou o que tinha de denunciar e anunciou o que tinha de anunciar. Denunciou muitos atropelos marxistas e comunistas que quiseram manchar a dignidade integral da pessoa humana na construção duma nova sociedade. Não teve medo nem quis ficar apenas pelo religiosamente correcto. Destemido enfrentou muitos ventos contrários sempre com a mesma certeza: é preciso que o ser humano seja defendido na sua totalidade como pessoa e na integralidade dos seus valores. Na década de 80 foi interventivo e não se deixou levar por totalitarismos políticos e outros. Como não recordar a sua famosa carta, em defesa integral da vida humana, quando o governo de então quis aprovar a lei do aborto? Como não recordar os seus belos textos nos anos 90 com a abertura democrática e multipartidária? Como não recordar a sua homilia profética aquando dos 30 anos de independência, em eucaristia de acção de graças, na pró catedral? Como não lembrar as suas palavras duras e sem receios por ocasião do aniversário do Seminário de São José? As suas homilias nunca foram circunstanciais, muito menos, de agradar a este ou àquele. Doesse a quem doesse. Eram proféticas e desconcertantes. 

E a segunda missão do profeta de Deus é anunciar a Boa nova de Jesus Cristo. Trazer uma nova mensagem aos corações dos homens e da sociedade. Foi o que o nosso saudoso dom Paulino fez ao longo dos seus 34 anos de bispo. Palavras sempre oportunas e assertivas que confrontavam o viver dos homens com o evangelho da boa nova de Jesus Cristo. Nunca se cansou de apontar o caminho certo para a construção do homem novo alicerçado nas raízes evangélicas. O esforço sempre claro em colocar o homem no centro de todas as políticas sociais. Como não lembrar a aposta clara que fez na formação do povo de Deus e dos jovens? O investimento que fez na formação dos novos sacerdotes e religiosas? Na reevangelização do arquipélago? 

Devolvido um ano do seu falecimento julgo que é o momento de lhe prestar a homenagem que lhe é devida. À altura da sua personalidade. Governo e Igreja devem-lhe esse tributo. Há personalidades da história dum país que não se devem deixar apagar ou ofuscar. Dom Paulino Livramento Évora é, indubitavelmente, uma delas. Não chegou já o tempo de erguer uma estátua em sua memória? Colocá-la mesmo no centro da cidade da Praia, no plateau, na praça Alexandre Albuquerque perto da Igreja de Nossa Senhora da Graça onde tantas vezes dirigiu a Palavra alimentando o povo de Deus?

Obrigado Dom Paulino Livramento Évora pelo seu testemunho de vida que fica marcado na História de Cabo Verde.

 

Pe. Nuno Miguel Rodrigues

Missionário do Espírito Santo