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Os Padres, Diáconos e Seminaristas estagiários, da Diocese de Santiago de Cabo Verde participaram, de 21 a 23 de fevereiro, numa reciclagem sobre a “Gestão Administrativa Eclesial”, no Seminário de São José, na Cidade da Praia

A orientação esteve a cargo do Padre Álvaro Bizarro, da Diocese de Lisboa, formado em Direito Canónico e que trabalha a mais de 30 anos, na área da Gestão Administrativa Eclesial. O nosso Bispo, Cardeal Dom Arlindo Furtado, acompanhou a ação formativa.

Em Cabo Verde, pela primeira vez, o Padre Álvaro agradeceu o convite que lhe foi endereçado pelo Padre Alexandre Lopes, Secretário executivo do Conselho Diocesano para os Assuntos Económicos

e a Sua Eminência, o Cardeal, por esta oportunidade de partilhar com a Igreja de Cabo Verde esta temática, que considera ser de grande relevância.

“Estou feliz e há três aspetos que me surpreendem: primeiro, um clero tão novo, jovem e com garra; segundo, uma participação considerável dos leigos e terceiro, uma abertura muito grande às temáticas tratadas”, disse o Padre Álvaro.

Segundo o orador, a Gestão Administrativa Eclesial consiste em ver “a forma de administrar, gerir com transparência e eficácia, e ver a maneira como a Igreja possa ser sustentada”.

Afirma o Padre, que a Igreja nem sempre é bem entendida, quanto a respeito dos bens patrimoniais, mas salienta que, “nós sempre administramos na Igreja. A Igreja foi sempre modelo de administração para a sociedade civil e ainda hoje pode continuar a sê-lo”

Para isso, é preciso que os ministros sagrados e os leigos saibam que, na Igreja, não se administra bens nossos mas, são dons da misericórdia de Deus que estão ao nosso dispor para administrar; não se administra nada em proveito pessoal ou para beneficiar alguém em particular, explicita Padre Bizarro.

Continuou a sua reflexão dizendo que a Igreja Mãe é sustentada pelo povo simples de Deus. A consciência, a alegria e a participação na Igreja são, na ótica do conferencista, bases que levam um cristão a exercer a responsabilidade e a corresponsabilidade de sustentar a Igreja para o cumprimento da sua missão, para o exercício da caridade para o povo e também para a sustentação dos ministros.

“É uma pena se os ministros estivessem que recorrer a atividades profissionais para se sustentarem. Não podiam estar ao serviço pleno e inteiro de evangelização”, declarou o Padre.

Esta responsabilidade não nasce da lei, mas sim da natureza de ser cristão e da alegria de pertencer ao Corpo. Ou seja, aqueles que têm consciência de pertencerem à Igreja, pelo batismo, são capazes do pouco que têm repartir, para que a Mãe (Igreja) seja sustentada.

Por fim, ele deixa uma mensagem muito apelativa, que sirva para todos nós, enquanto família, sociedade civil e Igreja:

“Nós somos pobres, por isso, temos de administrar melhor, para que haja um bom rendimento. O facto de sermos pobres, não quer dizer que não consigamos agir com muita qualidade”.