
Sou Luís Irineu, tenho 33 anos, sou da Comunidade Cristã da Ribeira de Principal, Paróquia de São Miguel. Sou Espiritano, e no dia 05 de fevereiro vou ser ordenado diácono em Braga, na Paróquia de Santo Adrião pelo Administrador Apostólico Dom Jorge Ortiga.
A vivência cristã da minha família, principalmente da minha mãe e da minha irmã; a dinâmica da vivência cristã da nossa comunidade e o testemunho dos missionários que passaram na nossa paróquia, ajudou-me a descobrir a minha vocação religiosa espiritana.
Havia sempre uma inquietação vocacional de ser padre. Mas sempre tentei ignorá-la. Quando estava a estudar o 11° ano, recordo que a minha irmã me perguntou se eu não queria ser padre? E eu respondi que não. Mas ela disse-me, “Mas Tu falavas muito que querias ser padre”. E eu respondi de novo: “vou continuar a ajudar a nossa comunidade, penso que é melhor”.
O ambiente familiar ajudou-me nesse despertar vocacional. Recordo depois do jantar, a minha mãe passava quase uma hora a rezar. Eu ficava admirado!! E perguntava: Só o terço não basta? Também o testemunho da vida religiosa da minha Irmã Alexandra (Filha do Sagrado Coração de Maria), marcou-me bastante.
O outro momento do meu despertar vocacional, foi a vivência comunitária da fé. Muito cedo fui catequista, fazia parte do grupo de jovens da minha comunidade e colaborava também no grupo coral. Essa experiência de grupo de jovens (Herdeiros da Sagrada Família), marcou-me bastante. Um dia num dos encontros, convidei uma Irmã da congregação das Filhas do Sagrado Coração de Maria para fazer um momento de partilha sobre a Vocação. Ela disse o seguinte “devemos discernir bem a nossa vocação, porque podemos ser um bom padre, um bom pai de família, mas se não é essa a nossa vocação, nunca vamos sentir realizados e felizes”. Foi então que comecei a questionar de novo, sobre a vida religiosa sacerdotal.
Comecei também a perguntar: Se os missionários que estão na nossa Paróquia (Espiritanos), há vários anos, batizaram os meus pais, casaram os meus pais, batizaram-me; será que eu não posso fazer o mesmo? Deixar a minha família, os meus amigos, para ir ao encontro dos outros e fazer o mesmo?
Foi assim que comecei o encontro vocacional na Paróquia durante um ano, e em setembro de 2010 fui aceite na nossa casa de formação espiritana na Praia. Nessa altura estava a estudar o 2° ano do curso de licenciatura em Geografia e Ordenamento do Território na Universidade de Cabo Verde, e ao mesmo tempo a terminar o curso profissional em Técnicas de Contabilidades. Em 2013 vim para Portugal, onde frequentei dois anos do Curso de Filosofia em Braga, na Universidade Católica.
Um outro marco importante na minha caminhada, foi a experiência de estágio missionário em Moçambique, na Paróquia de São João de Deus em Nampula. Vivi com um padre angolano, um congolês, um irlandês e um seminarista moçambicano. Foi uma bela experiência da vida comunitária internacional e intercultural. E também a própria dinâmica pastoral em que os leigos (catequistas, anciãos) assumiam a liderança das comunidades.
Essa experiência de estágio fortaleceu a minha decisão, e em outubro de 2017, entrei no noviciado Espiritano em Paris. Professei os primeiros votos no dia 9 de novembro de 2018, na Igreja do Seminário em Chevilly La Rue, Paris. Em junho de 2021, concluí o curso de Mestrado Integrado em Teologia na Universidade Católica-Porto. E em setembro de 2021, fiz a profissão Perpétua, em Cabo Verde na Paróquia de São Miguel Arcanjo.
Dou graças a Deus pela experiência de fé vivida até agora, e pela vida de muitas pessoas que me acompanharam durante a minha caminhada vocacional. Sinto-me feliz, porque coloquei sempre a minha esperança no Senhor, Ele é a nossa força (cf. Sl 84, 6).
Unidos na oração
Abraço Fraterno
Luís Irineu Cssp