“A IGREJA NÃO TEM CONDIÇÕES DE SUPERAR SOZINHA, OS MUITOS DESAFIOS SOCIAIS”: DOM SÉRGIO ROCHA, ARCEBISPO DE BRASÍLIA (BRASIL

Eis a razão por que a Igreja conta com a contribuição da sociedade, para que seja interpelada e motivada no campo da justiça e da paz. Não basta aquilo que a igreja oferece, ela precisa que também a sociedade se mobilize no campo da dignificação da pessoa humana, da Juventude, da família e do matrimónio e da preservação do meio ambiente (cuidar da casa comum), disse o Arcebispo de Brasília, Dom Sérgio Rocha durante o Painel que teve lugar no sábado, 28 no Salão paroquial Nossa Senhora da Graça, Cidade da Praia.

Centenas de fiéis compareceram na apresentação do tema “Os desafios da Igreja para a sociedade”. O tema foi ministrado por três conferencistas, sendo, Dom Manuel Clemente, cardeal patriarca de Lisboa, Dom António Jaca, bispo de Benguela e pelo arcebispo de Brasília, Dom Sérgio Rocha. Foi moderador o Sr. Jacnto Santos.

A Igreja espera que a sociedade se mobilize para a preservação da natureza, para o respeito do meio ambiente, o cuidar da casa comum. Em declarações a este site, o arcebispo de Brasília exortou a sociedade, sobretudo as escolas, universidades, órgãos públicos e meios de comunicação a se organizarem e fazer a sua parte, considerando não ser suficiente a palavra da igreja. Ele lembrou os desafios que a juventude coloca à Igreja, especialmente o de os envolver hoje em todos os campos da igreja e da vida social; A igreja pede maior coerência entre o ser cristão e o agir na sociedade. Dom Sérgio abordou o tema da Família e do casamento e falou defesa dos mais frágeis: a vida no seio materno, os doentes terminais, os mais pobres e os que estão nas prisões. A Igreja precisa de ver e escutar os jovens «de perto» e reconhecer os diversos «rostos» da juventude do nosso tempo.

Dom Manuel Clemente evidenciou a questão da «reciprocidade», isto é, «a Igreja pede à sociedade o que ela deve dar à sociedade em primeiro lugar, por ser ela mesma parte da sociedade, formada pro cidadãos. Explicou a seguir quatro princípios que a Igreja propõe na sua «Doutrina Social». A Igreja desafia a sociedade a viver e testemunhar os valores do Evangelho de Jesus Cristo. Primeiro princípio, o da dignidade da pessoa humana, no sentido de dignificação contínua, defendendo os direitos das pessoas; 2º, o princípio do bem comum que o Estado deve promover, isto é, o conjunto de condições a nível social, cultural, educacional e da saúde que permitem a plena realização dos cidadãos. É um dever do estado e de organismos intermédios; o princípio da subsidiariedade (apoio, e da solidariedade que funcionam em conjunto. ele assim resumiu os dois princípios: ninguém fica de fora e ninguém ultrapassa ninguém».

O terceiro painelista foi o bispo eleito de Benguela, Dom António Jaca, que mostrou os desafios da concretização dos princípios da Doutrina Social da Igreja na realidade da África, sobretudo no campo socio-político. Numa espécie de exame da consciência, disse que a África está longe de ver realizados os direitos da pessoa, ferindo assim a dignidade humana. Citou o Sínodo dos Bispos para a África que pediu aos políticos corruptos «que se demitam». Para D. Jaca, um dos problemas da África é as pessoas «ficarem caladas»e não se comprometerem, e «isso precisa mudar».Terminou dizendo que a África é «fonte de esperança» pra a Igreja e o mundo. Não é só «guerras fratricidas e corrupção». Ela «pode dar ao mundo muitas coisas boas»

Após a exposição dos três bispos, os participantes tiveram oportunidade de fazer comentários e intervir com questões bastante pertinentes a que os orados sabiamente responderam.

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